A Especialista

Levada pelo desejo de aliar um ambiente moderno a tudo o que há de novo em óculos solares e armações, diretamente de grandes grifes, o estilo AE tem como inspiração as batidas das passarelas – luzes, cenários e bastidores de quem vive tudo o que acontece no universo fashion.

"Por trás deste coração também batem duas lentes"

"Como um par de óculos novos me validou como ser humano"

Cinco meses atrás, comprei um novo par de óculos, o primeiro multifocal desde que, em 2010, fui diagnosticado com moderada miopia causada por computador e a inevitável vista cansada que os anos trazem. O fato nada teria de extraordinário se o novo par não tivesse provocado uma transformação definitiva, a olhos vistos em minhas interações sociais.

Ao entrar na ótica, não tinha qualquer expectativa além do objetivo de encomendar óculos com o maior alcance angular possível (considerando as limitações da multifocalidade) dentro dos parâmetros de orçamento que minha oculista considerava razoáveis e, se possível, com algum ganho estético.

Os óculos anteriores, um para a miopia, outro para a leitura, apesar de terem resolvido os problemas de visão, só haviam trazido as desvantagens habituais partilhadas pela espécie dos quatro olhos: "nerdização", envelhecimento, feiura, sensação de deficiência progressiva e uma série de complexos, muito bem retratados, nos anos 1980, pelo refrão dos Paralamas em “Óculos” (Herbert Vianna) em especial o genial verso-manifesto que, parafraseando o “Desafinado”, de Jobim e Newton Mendonça, brada: “Por trás dessa lente também bate um coração”.

A coisa, contudo, se revelou difícil. Os mais performáticos eram mais feios ou não combinavam com meu rosto, enquanto os mais bonitos, modernos e bem adaptados tinham alcance de ângulo menores. Eu estava a ponto de desistir quando o vendedor teve uma luz.

— Acho que tenho um modelo especial no estoque. Um que não está no mostruário.

Dirigiu-se a um gavetA  próximo à porta de saída e de lá retirou um par que era, de fato, diferente em tudo. Lentes redondas de porte não ostensivo mas tampouco pequenas demais, pincenez (ou plaquetas) de aspecto científico, ponte preta com uma listra branca, assim como as hastes que, em sua base curva, no que toca às orelhas, se engrossavam e apresentavam um padrão PB em “vaca malhada”, tie-dye ou coisa que o valha. O grande toque era o aro branco, consistente sem ser bruto.

Ainda resisti ao espelho, que revelava uma redundância entre o redondo das lentes e o redondo da cara, sem falar na redundância que existe entre os vocábulos redondo e redundância, num "loop" sem fim.

O vendedor estava preparado para essa eventualidade.

— O redondo é a tendência. É pegar ou largar — disse, no que parecia uma excessiva tacada comercial.

Não era. Aquela, de fato, seria uma das compras essenciais na história de consumo de um homem.

Pois, desde então, tudo mudou. Antes, meus amigos e amigas e as pessoas que eventualmente nutriam simpatia ou admiração por mim eram as únicas a notar minha presença com sinais de empatia, como, em geral, acontece com todo indivíduo.

Depois dos novos óculos, toda pessoa, sem exceção, se dirige a mim para dizer:

 Adoro seus óculos!

Cronica de:Arnaldo BlochO

 

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